Seis anos após a morte de Miguel, o luto de Mirtes Renata segue fragilizando a mãe do pequeno e o público. Nesta quarta-feira (18), a advogada voltou às redes sociais para desabafar sobre a dor que carrega desde 2 de junho de 2020, quando o filho, de apenas 5 anos, morreu após ser deixado sozinho em um elevador no Recife.
No Instagram, Mirtes, que decidiu cursar Direito para compreender melhor os desdobramentos judiciais do caso, fez um desabafo sobre a sensação de injustiça e desigualdade.
“Eu não fui condenada por tribunal algum, mas cumpro prisão perpétua na ausência do meu filho. Ela leva os filhos para conhecer Paris. Eu vou ao cemitério para ver meu filho.” A frase, dilacerante, expõe a dimensão da dor que atravessa sua rotina.
A publicação rapidamente ganhou repercussão e recebeu mensagens de apoio, inclusive de nomes conhecidos. A jornalista Leilane Neubarth comentou: “Dá uma desesperança….💔 Uma revolta!”. Já a atriz Carla Marins, atualmente no elenco de ‘Três Graças’, também se solidarizou: “Coração partido!”.
O caso Miguel se tornou símbolo da vulnerabilidade da desigualdade estrutural no país. A tragédia ocorreu no Condomínio Píer Maurício de Nassau, no Recife. Naquele dia, Mirtes havia descido para passear com o cachorro da patroa enquanto o menino permaneceu no apartamento.
Imagens de segurança mostraram Miguel entrando sozinho no elevador após a porta ser fechada. O equipamento parou no nono andar e a criança caiu do prédio, morrendo ao dar entrada no hospital.
A patroa, Sari, foi presa em flagrante e liberada após pagar fiança. Além do processo criminal, ela e o então prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker, enfrentam ação trabalhista por contratação irregular durante a pandemia.
A família de Mirtes chegou a obter decisão favorável com indenização de R$ 1 milhão, mas a medida foi suspensa pelo Superior Tribunal de Justiça em setembro de 2024.
A dor de Mirtes também ecoa na arte. O episódio inspirou reflexões em obras como o filme ‘Agente Secreto’, que concorre ao Oscar 2026. No longa que tem Wagner Moura como protagonista, uma patroa fictícia presta depoimento após a filha de sua empregada morrer atropelada enquanto estava sob sua responsabilidade.